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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Poema de Maurício Barcellos sobre o poeta e dramaturgo Qorpo Santo - uma das grandes figuras do teatro do absurdo

Poema de Maurício Barcellos  musicado por Paulo Fleck  - Moenda 2005


Qorpo Santo

Sou criador e criatura
nessa vida que mistura
a verdade, a metáfora,
a lucidez e a loucura.

Sendo somente o que invento,
sou surreal noutro tempo;
um prisioneiro à buscar-se
num labirinto de vento.

Na solidão das alturas
deixo que os sonhos plantem
para ir além das molduras
desses retratos de ontem.

Sou a razão no delírio;
a tradução dos avessos;
um deserdado no exílio;
a face que desconheço.

Deixo cair minha máscara
(um trágico riso de espanto):
sou neste palco vazio
pecador em corpo santo.

Se buscares meus rastros, nos teus descompassos 

saberás de mim!
Na encruzilhada dos ventos, além do meu tempo, 

há de me encontrar, e assim,
deixa que eu te leve, leve como um sonho 

- mundo que proclamo em calada voz -
deixo que me guardes nas prisões do peito,

pois tu serás cativo e teu algoz.








Um comentário:

  1. Olá! Se eu não estou errado, a cantora Amelinha gravou essa canção. Pena eu não encontrá-la!

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