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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Canta a tua aldeia e serás universal. Leon Tolstoi

Peço 'permiso' para apresentar um personagem da minha infância,
e, talvez, da infância de muita gente.
Viveu pelos bolichos de campanha, pelas pulperias e carreiras,
nestas voltas da fronteira entre Brasil e o Uruguai.
Nos corredores e estradas que vem de oeste a leste desde o Passo do Centurión até
o arroio Telho e de sul a norte desde a Quebrada de los Cuervos até a Estação Basílio.
Teve muitos nomes, ainda que todos o conhecessem somente por Paisano.

Hoje poucos sabem dele...
Mas não preciso que me digam seu destino.
Se morreu num duelo de adaga ou em uma crescente
dessas em que o Jaguarão, vez por outra, sobe as barrancas...
Se finalmente encambichou-se e resolveu erguer um rancho beira de estrada...
Se hoje sua aparência já nem recorde o muito que já foi...
Já não me importa.
Os caminhos da memória não tem limites nem alambrados,
Por isso, nestas coplas, deixo que outra vez
Aquele tempo regresse a mim.





Torquato Flores, senhores!

Meu nome é Torquato Flores
Guitarra buena e bom pingo
Fui feito para os amores
E pras pencas de domingo.

Sou domador por ofício
E guitarreiro por gosto
Tenho a milonga por vício
Por balda o riso no rosto.

Me 'gusta' um baile de rancho
E um truco na madrugada
Que o gado nasceu pro campo
Mas eu nasci para a estrada.

Meu nome é Torquato Flores
Não tenho marca ou sinal
Pois não aceito, senhores
Tampouco rédea ou buçal.

Quando a tormenta se enfeia
Não rezo pra qualquer santo
Não sou de campear peleia
Mas na adaga me garanto

Destapo alma e guitarra
Largo coplas de improviso
Não sou mui manso pras farras
Só pro amor, se for preciso!!!


Martim César

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