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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O futuro é uma astronave que tentamos pilotar.Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar.Muda nossa vida e depois convida vir ou chorar.Toquinho





Rumos povoeiros

Nas horas largas de sonhos pequenos
A moça sonhava, ao derredor do seu rancho
Em seguir, algum dia, esses rumos povoeiros
Que o luzeiro mostrava sem dizer-lhe quando

O olhar refletido no espelhar da cacimba
Parecia o de estrelas sob um céu sem luar
E a moça esperava, sabendo-se linda
Esse destino que ainda lhe custava chegar

Nas noites compridas de velas acesas
Sua mente buscava, cada vez mais e mais
Essa luz que, um dia, varreria a tristeza
Para não mais a certeza das auroras iguais

Seu silêncio escondia tantos gritos velados
Tantos planos semeados segredados ao vento
Que o seu sonho, ao crescer, fez-se rio represado
Mato seco incendiado lhe queimando por dentro

Quando o tempo, afinal, deparou-lhe a cidade
E esparramou claridade nos seus olhos tão puros
Não pensou que o neon era apenas miragem...
Que por trás dessa imagem havia becos escuros

Onde acabaram os sonhos revelou-se a verdade
Havia tanta maldade por detrás desses muros
Que a moça, por fim, relembrou, com saudade
De quando a cidade era somente o futuro!

Martim César

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