No lobisomem...
Qual dilema que impera:
Ser a fera ou ser o homem?
Ser o homem ou ser a fera?
Martim César
www.martimcesar.com.br
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Amor se llama el juego en el que un par de ciegos juegan a hacerse daño.J.Sabina
Lo que me ha quedado de ese amor
(un tango para Sabina)
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
El humo del cigarro en mis pulmones,
Las palabras de nostalgia en las canciones,
Algún poema de un poeta sin valor?
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una cuenta bancaria en color rojo
Una lágrima eternizada en mis ojos
Una imagen que va perdiendo su color?
Me ha quedado un calendario de mil noches trasnochadas
Un navegante ahogado en mar de vino
Un caminante sin estrella y sin camino
Una extraña sensación de ver que todo es casi nada
Me ha quedado un desierto sin oasis de agua pura
Una floresta apiñada de hojas muertas
Una llave que no abre más la puerta
Y un pasaje sin regreso al país de la locura
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una carta olvidada en un cajón
Un loco timonel en un navío sin timón
Y los pétalos ya marchitos de una flor?
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una mujer que se llevó todos mis sesos
Ese olvido que me duele hasta los huesos
Este suicida que no muere por temor?
Martim César
(un tango para Sabina)
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
El humo del cigarro en mis pulmones,
Las palabras de nostalgia en las canciones,
Algún poema de un poeta sin valor?
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una cuenta bancaria en color rojo
Una lágrima eternizada en mis ojos
Una imagen que va perdiendo su color?
Me ha quedado un calendario de mil noches trasnochadas
Un navegante ahogado en mar de vino
Un caminante sin estrella y sin camino
Una extraña sensación de ver que todo es casi nada
Me ha quedado un desierto sin oasis de agua pura
Una floresta apiñada de hojas muertas
Una llave que no abre más la puerta
Y un pasaje sin regreso al país de la locura
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una carta olvidada en un cajón
Un loco timonel en un navío sin timón
Y los pétalos ya marchitos de una flor?
¿Y lo que me ha quedado de ese amor
Una mujer que se llevó todos mis sesos
Ese olvido que me duele hasta los huesos
Este suicida que no muere por temor?
Martim César
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Meu velho um dia falou, com seu jeito de avisar: olha, o mar não tem cabelos que a gente possa agarrar. Paulinho da Viola

O dia que a morte não veio
Estava acertado o final
Hora e lugar do combate
(Pois desde o berço o mortal
Espera a faca que o mate)
Mas ao chegar o arremate
O instante grave e fatal
A morte – num disparate –
Negou seu próprio ritual
O dia em que a morte não veio
Tenho pra sempre guardado
Pois ela inventou um meio
E faltou ao encontro marcado
O dia em que a morte não veio
É uma lição aprendida:
Pois ela - por ter receio -
Enfim rendeu-se pra vida
Não morreu quem deveria
Não chegou quem se esperava
A morte – estranha ironia! –
Fingiu que bem morta estava
Ah! Eu sei que ela volta um dia
Pois sempre vem, cedo ou tarde,
Mas vai me ver – quem diria?
Tendo ela por covarde
Martim César
Estava acertado o final
Hora e lugar do combate
(Pois desde o berço o mortal
Espera a faca que o mate)
Mas ao chegar o arremate
O instante grave e fatal
A morte – num disparate –
Negou seu próprio ritual
O dia em que a morte não veio
Tenho pra sempre guardado
Pois ela inventou um meio
E faltou ao encontro marcado
O dia em que a morte não veio
É uma lição aprendida:
Pois ela - por ter receio -
Enfim rendeu-se pra vida
Não morreu quem deveria
Não chegou quem se esperava
A morte – estranha ironia! –
Fingiu que bem morta estava
Ah! Eu sei que ela volta um dia
Pois sempre vem, cedo ou tarde,
Mas vai me ver – quem diria?
Tendo ela por covarde
Martim César
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O que mata a sede não é o copo... e sim a água. Glenio Fagundes
Poema a ser reescrito
Quando me busco por dentro
No poço fundo de mim
Sem rumo e insone me perco
Preso num enredo sem fim
Quem saberá o segredo
Dos medos que eu já não nego?
(Qual luz que habita o silêncio
da imensa noite dos cegos)
Eu queria uma alma serena
(Que só na infância se tem!)
Um papel esperando um poema
Sem saber qual o verso que vem
Eu queria uma vida reescrita
E outra vez sentir a emoção
Da magia sem par dessa hora
Em que nasce uma nova canção
Mas quando, às vezes, no escuro
Em mil lembranças me acendo
- Madrugado e desperto -, descubro...
Jamais há um regresso no tempo!
Martim César
Quando me busco por dentro
No poço fundo de mim
Sem rumo e insone me perco
Preso num enredo sem fim
Quem saberá o segredo
Dos medos que eu já não nego?
(Qual luz que habita o silêncio
da imensa noite dos cegos)
Eu queria uma alma serena
(Que só na infância se tem!)
Um papel esperando um poema
Sem saber qual o verso que vem
Eu queria uma vida reescrita
E outra vez sentir a emoção
Da magia sem par dessa hora
Em que nasce uma nova canção
Mas quando, às vezes, no escuro
Em mil lembranças me acendo
- Madrugado e desperto -, descubro...
Jamais há um regresso no tempo!
Martim César
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida. Carl Seagan

Do universo que eu não sei
Talvez a visão insana dessas meninas sem rumo
Talvez os rastros de errante nas madrugadas insones
Talvez o viver boêmio por entre as copas e o fumo
Talvez os olhos mendigos da mais antiga das fomes
Talvez a saudade ainda viva de um querer que se foi
Talvez o andar vazio de quem não sabe aonde vai
Talvez o segundo urgente de quem não tem um depois
Talvez a vida perdida sem encontrar nenhum cais
Eu sei de corcéis alados cavalgando sobre a noite dos caídos
Sei das galés enfrentando o mare nostrum e da Roma milenar,
Eu sei dos persas, dos hebreus, sei da Atlântida submersa
Eu sei do Egito, da madre Grécia, dos seus deuses já vencidos
Eu sei da luta... sim...da eterna luta no covil de um mesmo ser
O bem e o mal, ser ou não ser, em vez de Abel... melhor Caim
E enfim cair, meu bem, pois eu não sei – ó!meu amor –
não sei de mim! Pois eu não sei – ó!meu amor – não sei de mim!
Talvez esse verso amargo de mais um poeta sem luz
Talvez o destino infame de queimar meus próprios navios
Talvez o peso inclemente de quem carrega a sua cruz
Talvez o ‘talvez’ que sempre fez um deserto de um rio
Martim César
Talvez a visão insana dessas meninas sem rumo
Talvez os rastros de errante nas madrugadas insones
Talvez o viver boêmio por entre as copas e o fumo
Talvez os olhos mendigos da mais antiga das fomes
Talvez a saudade ainda viva de um querer que se foi
Talvez o andar vazio de quem não sabe aonde vai
Talvez o segundo urgente de quem não tem um depois
Talvez a vida perdida sem encontrar nenhum cais
Eu sei de corcéis alados cavalgando sobre a noite dos caídos
Sei das galés enfrentando o mare nostrum e da Roma milenar,
Eu sei dos persas, dos hebreus, sei da Atlântida submersa
Eu sei do Egito, da madre Grécia, dos seus deuses já vencidos
Eu sei da luta... sim...da eterna luta no covil de um mesmo ser
O bem e o mal, ser ou não ser, em vez de Abel... melhor Caim
E enfim cair, meu bem, pois eu não sei – ó!meu amor –
não sei de mim! Pois eu não sei – ó!meu amor – não sei de mim!
Talvez esse verso amargo de mais um poeta sem luz
Talvez o destino infame de queimar meus próprios navios
Talvez o peso inclemente de quem carrega a sua cruz
Talvez o ‘talvez’ que sempre fez um deserto de um rio
Martim César
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sinto uma dor esquisita das ruas de Porto Alegre, onde jamais passarei... Mario Quintana (o mapa)

Desde o cais de uma janela
Quando vejo nos teus olhos
O meu sol amanhecer
Uma saudade me invade
Que nem sei de onde vem
Feito a flor da corticeira
Anunciando a primavera
Tenho em ti todas as cores
Desde o cais de uma janela
Sou um pouco dessas ruas
Que bem sabem dos meus passos
Tantas noites no teu frio
Tantas tardes de mormaço
Na usina de mil noites
Quintaneei teu mapa em mim
No néon das tuas calçadas
Becos, bares, madrugadas
Vou buscando nos acordes
Dos poetas dos teus sonhos
Os motivos por que eu vim
Velho porto dos casais
Quanta vida em ti existe!
Meu pedaço no universo
Que me alegra se estou triste
Velho porto dos casais
Muito alegre não sou não!
Mas se ando assim sozinho
Mas tão só de não ter jeito
Sei que vertes no meu peito
Um rio grande de palavras
Quando vejo nos teus olhos
O meu sol amanhecer
Uma saudade me invade
Que nem sei de onde vem
Feito a flor da corticeira
Anunciando a primavera
Tenho em ti todas as cores
Desde o cais de uma janela
Sou um pouco dessas ruas
Que bem sabem dos meus passos
Tantas noites no teu frio
Tantas tardes de mormaço
Na usina de mil noites
Quintaneei teu mapa em mim
No néon das tuas calçadas
Becos, bares, madrugadas
Vou buscando nos acordes
Dos poetas dos teus sonhos
Os motivos por que eu vim
Velho porto dos casais
Quanta vida em ti existe!
Meu pedaço no universo
Que me alegra se estou triste
Velho porto dos casais
Muito alegre não sou não!
Mas se ando assim sozinho
Mas tão só de não ter jeito
Sei que vertes no meu peito
Um rio grande de palavras
Nos versos de uma canção!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Um dia voltei; voltei sem contar pra o moço, pra moça, pra o velho, pra todos, que o além do horizonte é apenas o dia que volta amanhã. Luiz Menezes

De barro e luz
Jeito de rio
Meu canto, como tantos
Tem em si
Navegador
Nos versos que o universo
Pôs em mim
O mesmo rio
Que embalou a minha infância
Ainda em flor
E hoje me vê
Em suas margens na idade
Do sol-pôr
Chegando ao fim
Vai minha vida como um barco
Rumo ao cais
De barro e luz
Na essência todo homem
Sempre será
De barro e luz
Depois só luz...(talvez só luz)
E nada mais!!!
Martim César
Jeito de rio
Meu canto, como tantos
Tem em si
Navegador
Nos versos que o universo
Pôs em mim
O mesmo rio
Que embalou a minha infância
Ainda em flor
E hoje me vê
Em suas margens na idade
Do sol-pôr
Chegando ao fim
Vai minha vida como um barco
Rumo ao cais
De barro e luz
Na essência todo homem
Sempre será
De barro e luz
Depois só luz...(talvez só luz)
E nada mais!!!
Martim César
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
En la América la nuestra, de açúcar, cobre y café... no hay motivo para fiesta, quinientos años de qué? Belchior/L.Carrero

Olhos de índio
Sobre um rio de asfalto onde os carros navegam
Dois mundos se enxergam, frente a frente existindo
Nos olhos do branco brilham luzes que cegam
Nos olhos do índio só o passado perdido
Quem avista da estrada seu tristonho presente
Seu viver inclemente de abandono e amargura
Despreza o seu jeito por ser tão diferente
E nem ao menos pressente sua milenária cultura
Personagens estranhos desse novo cenário
Onde regras e horários encarceram os homens
Onde crescem cidades de milhões solitários
De prateleiras repletas e de tantos com fome
São olhares distantes nas margens da estrada
Histórias veladas que o tempo desfez
Nas cestas de vime a herança deixada
A planta arrancada não germina outra vez!
Martim César
Sobre um rio de asfalto onde os carros navegam
Dois mundos se enxergam, frente a frente existindo
Nos olhos do branco brilham luzes que cegam
Nos olhos do índio só o passado perdido
Quem avista da estrada seu tristonho presente
Seu viver inclemente de abandono e amargura
Despreza o seu jeito por ser tão diferente
E nem ao menos pressente sua milenária cultura
Personagens estranhos desse novo cenário
Onde regras e horários encarceram os homens
Onde crescem cidades de milhões solitários
De prateleiras repletas e de tantos com fome
São olhares distantes nas margens da estrada
Histórias veladas que o tempo desfez
Nas cestas de vime a herança deixada
A planta arrancada não germina outra vez!
Martim César
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O livro é uma extensão da memória e da imaginação. Jorge Luís Borges
Luz Andaluz
O Pampa delira nos versos de Borges
Onde o tempo circula e o que foi voltará
Artigas traído cavalga ao exílio
E o brilho de Halley se faz lua no olhar
A carreta que cruza uma estrada sem fim
Vê o primeiro avião navegando no céu
Um visionário constrói seu castelo no campo
E Neruda povoa de magia o papel
Quintana caminha pelas ruas de um porto
E o Guaíba eterniza mais um pôr-de-sol
Atahualpa professa seu silêncio profundo
Nos bares do mundo Elis Regina solta sua voz
Garibaldi descobre a coragem de Anita
E nas missões jesuítas bate um sino outra vez
Uma rádio anuncia que Gardel já partiu
Mas seu quadro sorri desde “un viejo almacen”
Luz andaluz
Estrela cadente brilhando pra sempre
Nas noites do sul
O Pampa delira nos versos de Borges
Onde o tempo circula e o que foi voltará
Artigas traído cavalga ao exílio
E o brilho de Halley se faz lua no olhar
A carreta que cruza uma estrada sem fim
Vê o primeiro avião navegando no céu
Um visionário constrói seu castelo no campo
E Neruda povoa de magia o papel
Quintana caminha pelas ruas de um porto
E o Guaíba eterniza mais um pôr-de-sol
Atahualpa professa seu silêncio profundo
Nos bares do mundo Elis Regina solta sua voz
Garibaldi descobre a coragem de Anita
E nas missões jesuítas bate um sino outra vez
Uma rádio anuncia que Gardel já partiu
Mas seu quadro sorri desde “un viejo almacen”
Luz andaluz
Estrela cadente brilhando pra sempre
Nas noites do sul
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Até sei como tudo começou... mas não tenho a mínima idéia de onde isso vai parar!
De luz e sombras
(Era Borges o cego, ou cegos seremos nós?)
Quando o sol morreu no olhar
Ainda restaram as estrelas
Mas depois de o céu nublar
Já nunca mais pôde vê-las
No pátio imenso das casas
Envelheceram as meninas
O tempo que a tudo abrasa
Vestiu de luto as retinas
Quem tem a visão do mundo
Enxerga, ás vezes, sem ver
E passa a vida no fundo
Da escuridão do seu ser
Mas quem da dor fez o verso
E da tormenta fez calma
Descobriu outro universo
Na senda oculta da alma
Como fantasma entre vivos
Conhecedor de dois planos
O cego entre os seus livros
Riu dos limites humanos
Entre mortais, fez-se mago
Farol, nos mares da vida
Onde nós, pobres náufragos
Ainda estamos à deriva
Martim César
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Tenho asas, mas não vôo. Minha alma está presa na gaiola do meu próprio corpo.
Quando estou longe de mim
Agora que a vida vem
Pintar geadas no meu cabelo
E que este céu de inverno
Já se esqueceu das estrelas
É que repenso a distância
Que me trouxe até aqui
É que estranhamente percebo
Que eu estou longe de mim
Quanto de mim se extraviou
Pelas curvas do caminho
Quantas flores perdi
Por medo dos seus espinhos
Quanto de mim silenciou
Do outro lado da porta
Quanta vida represada
Num rio de águas revoltas
Uma parte de mim quis ser mar
E saiu, qual navio à procura de um cais
Outra parte de mim quis voar
E foi chão...solidão... calmaria sem paz
Por sorte a vida renasce
No sol de cada manhã
E essa certeza é que embala
Os acordes desta canção
Senão seriam mais tristes
As noites que eu já vivi
E eu estaria, por certo
Bem mais distante de mim
Agora que a vida vem
Pintar geadas no meu cabelo
E que este céu de inverno
Já se esqueceu das estrelas
É que repenso a distância
Que me trouxe até aqui
É que estranhamente percebo
Que eu estou longe de mim
Quanto de mim se extraviou
Pelas curvas do caminho
Quantas flores perdi
Por medo dos seus espinhos
Quanto de mim silenciou
Do outro lado da porta
Quanta vida represada
Num rio de águas revoltas
Uma parte de mim quis ser mar
E saiu, qual navio à procura de um cais
Outra parte de mim quis voar
E foi chão...solidão... calmaria sem paz
Por sorte a vida renasce
No sol de cada manhã
E essa certeza é que embala
Os acordes desta canção
Senão seriam mais tristes
As noites que eu já vivi
E eu estaria, por certo
Bem mais distante de mim
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Minha vida é um quebra-cabeças, onde sempre está falatando alguma peça. Sempre que tento montá-lo a peça que falta já não é a mesma.
A cuatro manos
El peón avanzó a la quinta de Tertuliano
Pasos de tango en el centro de la cancha
Como un godo desafiando al rey romano
Cual molino frente al loco de La Mancha
Y en el tablero: tierra ajena y no tan ancha
Un negro alfil se le interpone mano a mano
Pero no teme a esa muerte que se ensancha
Y cuadro a cuadro gambeteando va el paisano
Se esquiva de una torre. Otra más. Y sigue el juego
El tiempo ya se agota... al instante todo es drama
Acercándose a la octava, arremete, pecho en fuego
Y grita: ¡Jaque¡ y ahí está por conquistar al fin la fama
¡Y pierde todo! Lleva un mate, un jaque mate el andariego
Y se va el gaucho sin caballo, sin honor y
sin la dama
Jorge Passos/Martim Cesar
El peón avanzó a la quinta de Tertuliano
Pasos de tango en el centro de la cancha
Como un godo desafiando al rey romano
Cual molino frente al loco de La Mancha
Y en el tablero: tierra ajena y no tan ancha
Un negro alfil se le interpone mano a mano
Pero no teme a esa muerte que se ensancha
Y cuadro a cuadro gambeteando va el paisano
Se esquiva de una torre. Otra más. Y sigue el juego
El tiempo ya se agota... al instante todo es drama
Acercándose a la octava, arremete, pecho en fuego
Y grita: ¡Jaque¡ y ahí está por conquistar al fin la fama
¡Y pierde todo! Lleva un mate, un jaque mate el andariego
Y se va el gaucho sin caballo, sin honor y
sin la dama
Jorge Passos/Martim Cesar
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A natureza é grande nas coisas grandes e grandíssima nas pequeninas. Saint Pierre

Domadores de los vientos
Hay un cielo de pescadores
Sobre las aguas caído
La luna baila entre las canoas
Como un duende cuidando el río
Y cuando viene el amanecer
Por esas costas del Uruguay
Ya no hay barcos por las orillas
Hombres y sueños muy lejos van
Son domadores de potros fieros
Los pescadores de mi lugar
Surcando el agua pasan la vida
Siempre vivida buscando el pan
Antiguo oficio de los paisanos
De río, laguna, arroyos y mar
Igual que el pez en la red prendido
Tan solo queda luchar y luchar...
Del Camacuá hasta el río Cuarein
Del Yaguarón hasta el río Queguay
Del San Luís hasta el Río Negro
Del Olimar hasta el Uruguay
Y poco vale la vida, hermano
Si cambia el tiempo sin avisar
Por eso hay que entender los vientos
Y a cada pájaro por su volar
Martim César
Hay un cielo de pescadores
Sobre las aguas caído
La luna baila entre las canoas
Como un duende cuidando el río
Y cuando viene el amanecer
Por esas costas del Uruguay
Ya no hay barcos por las orillas
Hombres y sueños muy lejos van
Son domadores de potros fieros
Los pescadores de mi lugar
Surcando el agua pasan la vida
Siempre vivida buscando el pan
Antiguo oficio de los paisanos
De río, laguna, arroyos y mar
Igual que el pez en la red prendido
Tan solo queda luchar y luchar...
Del Camacuá hasta el río Cuarein
Del Yaguarón hasta el río Queguay
Del San Luís hasta el Río Negro
Del Olimar hasta el Uruguay
Y poco vale la vida, hermano
Si cambia el tiempo sin avisar
Por eso hay que entender los vientos
Y a cada pájaro por su volar
Martim César
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo. Eduardo Galeano
Dilema
Para sempre, em duas metades, repartido
Sem saber qual sou eu, dentre essas partes
A racional - feito um discípulo de Descartes
Ou a passional - feito um escravo de cupido?
Seguir a fé, com os seus ritos e estandartes
Sem questionar o porquê de haver nascido
Ou seguir a ciência onde tudo tem sentido
Menos o amor que faz nascer todas as artes?
A eterna dúvida do que sou, guardo comigo
Feito o dilema que consome a minha mente
Ou a resposta que, em vão, busco e persigo
Há dois caminhos a seguir, mas qual eu sigo?
Sou um que pensa e, também, outro que sente
Digo o que sou, mas nunca sou isso que digo!
Martim César
Para sempre, em duas metades, repartido
Sem saber qual sou eu, dentre essas partes
A racional - feito um discípulo de Descartes
Ou a passional - feito um escravo de cupido?
Seguir a fé, com os seus ritos e estandartes
Sem questionar o porquê de haver nascido
Ou seguir a ciência onde tudo tem sentido
Menos o amor que faz nascer todas as artes?
A eterna dúvida do que sou, guardo comigo
Feito o dilema que consome a minha mente
Ou a resposta que, em vão, busco e persigo
Há dois caminhos a seguir, mas qual eu sigo?
Sou um que pensa e, também, outro que sente
Digo o que sou, mas nunca sou isso que digo!
Martim César
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca. Darcy Ribeiro
Atemporal
Não me falem do tempo dos relógios
Exato e cotidiano, perfeito e insensível
Quem saberá o que é o tempo?
Cientistas, físicos, astrônomos?
Eu prefiro o tempo dos poetas
Que se distende pelo plano das palavras
E viaja – sem horários –
Pelos rumos tortos da imaginação.
Não me falem do tempo dos cronômetros
Imutável e monótono, metálico e previsível
Quem saberá o que é o tempo?
Matemáticos, engenheiros, catedráticos?
Prefiro o tempo dos amantes
Eternidade nos momentos de distância
Fugaz como um lampejo
No sonhado encontro de dois corpos.
Não me falem do tempo digital
Provável divisão do que não pode ser dividido
Insensato cálculo do que não pode ser calculado
Cinco ou cinqüenta anos? Agora ou algum dia?
Morremos antes ou depois? Quem saberá?
Não me falem do tempo dos segundos e minutos
Não... eu já disse: não me falem!
Eu prefiro o tempo das crianças
Sem passado e sem futuro.
Não me falem do tempo das horas e dos dias
Não... eu repito: não me falem!
Eu prefiro o tempo dos lunáticos
Início após o fim. Vida inteira a cada dia.
Eis o tempo que eu saúdo: este hoje irrepetível!
Surpreendente em cada esquina.
Volúvel como um céu de tempestade.
Para ele, tão somente para ele,
Ergo a minha taça de ilusão
E me embriago para sempre
no absinto de um poema.
Martim César
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol/tenho comigo as lembranças do que eu era/para cantar nada era longe,tudo tão bom! F.Brandt/M.Nascimento
Por cinco minutos
Por cinco minutos perdeu-se um amor
A semente na flor já não se abrirá
A menina com pressa que chega ao encontro
O menino que pronto também chegará...
Um amor represado em mil horas de espera
Em miradas furtivas em meio aos demais
Que, assim, deixará de saber-se quimera
Nessas almas em guerra que, enfim, terão paz
Que um pro outro nasceram e, assim, viveriam
Que seriam felizes... não há quem duvide!
Até mesmo os anjos desde há muito sabiam
Testemunhas que eram desse amor tão sublime
Mas não é que o cupido nesse dia adormece...
(O destino tem manhas que ninguém sabe ao certo)
Os arcanjos não vêem - mesmo Deus não percebe -
E se fazem distantes os que estiveram tão perto
Ele jamais descobriu o quanto ela esperou
Ela jamais entendeu do seu atraso a razão
E por cinco minutos perdeu-se um amor
Quase os mesmos minutos... desta canção!!!
Martim César
Por cinco minutos perdeu-se um amor
A semente na flor já não se abrirá
A menina com pressa que chega ao encontro
O menino que pronto também chegará...
Um amor represado em mil horas de espera
Em miradas furtivas em meio aos demais
Que, assim, deixará de saber-se quimera
Nessas almas em guerra que, enfim, terão paz
Que um pro outro nasceram e, assim, viveriam
Que seriam felizes... não há quem duvide!
Até mesmo os anjos desde há muito sabiam
Testemunhas que eram desse amor tão sublime
Mas não é que o cupido nesse dia adormece...
(O destino tem manhas que ninguém sabe ao certo)
Os arcanjos não vêem - mesmo Deus não percebe -
E se fazem distantes os que estiveram tão perto
Ele jamais descobriu o quanto ela esperou
Ela jamais entendeu do seu atraso a razão
E por cinco minutos perdeu-se um amor
Quase os mesmos minutos... desta canção!!!
Martim César
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar... é ele quem me carrega como nem fosse levar. Paulinho da Viola

Domingo, em São Lourenço... no encerramento da Feira do Livro.... um pouco de música e poesia.
Passatempo
Quando falares desse amor
Fala com jeito
Não é direito
Zombar assim da minha dor
Quando falares desse amor
Mantém respeito
Dói no meu peito
Ainda o espinho dessa flor
Não zombarás!
Esse há de ser meu mandamento
Nunca, jamais
Não rias disso um só momento
Deixa-me em paz!
Se eu fui pra ti só passatempo
Que bem te faz
Ferir assim meu sentimento?
Quando falares desse amor
Não aches graça
Pode que faça
Um dia falta meu calor
Quando falares desse amor
Não faz pirraça
Que a vida passa...
E só o que não passa tem valor.
Martim César
Quando falares desse amor
Fala com jeito
Não é direito
Zombar assim da minha dor
Quando falares desse amor
Mantém respeito
Dói no meu peito
Ainda o espinho dessa flor
Não zombarás!
Esse há de ser meu mandamento
Nunca, jamais
Não rias disso um só momento
Deixa-me em paz!
Se eu fui pra ti só passatempo
Que bem te faz
Ferir assim meu sentimento?
Quando falares desse amor
Não aches graça
Pode que faça
Um dia falta meu calor
Quando falares desse amor
Não faz pirraça
Que a vida passa...
E só o que não passa tem valor.
Martim César
e
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Quem ensina, aprende ao ensinar. Quem aprende, ensina ao aprender. Paulo Freire

Hoje temos Musicanto. Com um tema sobre as Missões Jesuíticas. Domingo temos apresentação musical com Ricardo Fragoso, Ro Bjerk, Nando Barcellos, Paulo Timm e eu no encerramento da feira do livro de São Lourenço do Sul. Música e poesia à beira da Lagoa dos Patos. Seguimos na ativa...
Alma além da pedra
Às vezes um canto índio vem templar minha guitarra
Cruzando léguas de tempo para chegar junto a mim
Dobrando sinos antigos, despertando madrugadas
Com voz de bronze clamando por seus povos guaranis!
Então renasço guerreiro, mangrulho de história e tempo
Na velha estirpe ameríndia frente à sanha das bandeiras
E um M’bororé recordado ainda ecoando nos ventos
Lembra a altiva bravura de uma pátria missioneira
Porque eu não sou ruína... estou além da pedra
Raiz com gosto de terra, antiga legenda avá
Meu sangue ancestral revive na mescla
Do ‘gaucho’ que canta nalgum m’baracá
E um rio primitivo de versos deságua
Deixando na alma lampejos de céu
Vertendo em recuerdos o sonho de um tempo
Que ainda resiste no chão de São Miguel.
Quem escuta em silêncio o silvar dos templos vazios
Descobre o dulce idioma das plegárias naturais
Velha magia pombera que habita as margens dos rios
E que veio morar nos sinos dando voz às catedrais!
Martim César
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