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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Retinas vagas que assomam da janela de outro mundo...
Olhar vago de mulher num quadro antigo
No olhar distante, a memória de um tempo que passou
Vida que ficou entre a moldura do retrato, eternizada
Retinas vagas que se assomam da janela de outro mundo
Imagem que diz tanto e, no entanto, para tantos não diz nada
A
história de um romance que morreu sem ter nascido
Tempo
esquecido em que o charque comandava este lugar
A
moça a sonhar, no seu balcão, com seu poeta preferido
E
ele – moço – ainda iludido com o poder do verbo amar
Na
casa grande, naquela noite de verão, houve uma festa
Onde
uma orquestra embalava a leveza de alguns pares
E
de repente o amor – que não conhece leis ou regras -
Revelou-se
nessa entrega que só percebem dois olhares
Porém
a distância invisível que separa os sobrenomes
Obra dos homens
por se crerem mais acima dos demais
Fez
com que a moça não pudesse escolher o seu destino
E o amor menino se perdeu, num adeus de nunca mais
Hoje quem olha essas paredes onde o passado ainda resiste
Sente
que existe algum segredo que em seu peito pede abrigo
E
não compreende o porquê de, sem querer, saber-se triste
Ao ver-se preso no olhar vago de mulher num quadro antigo
Martim
César
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Além da curva há outra curva...
Caminho sem volta
Quando
ele partiu do seu lugarejo,
Tinha
o grande sonho de vencer na vida...
Levava
a esperança nos braços de moço,
Deixava
o seu mundo nessa despedida.
Levava
nos bolsos, além de uns trocados,
O
rosto da amada na fotografia...
Deixava
um adeus num beijo salgado
E
a jura sagrada de que voltaria.
Mas
na grande cidade a vida é difícil...
Não
sorri a fortuna para qualquer um!
O
dinheiro acaba, não há onde morar,
Restam
as favelas ou lugar nenhum.
Conheceu
o inferno mas sobreviveu,
Pois
quem é esperto sempre se dá bem...
Conhecido
no morro, temido no asfalto,
Numa
arma o poder e, enfim, era alguém!
Pensava
em voltar mas não era tão fácil,
Quem
joga esse jogo não sai sem perder!
E
o caminho de volta se fez tão distante,
O
destino jogava as suas cartas também...
Quando
a polícia estourou o seu ponto,
Houve
algumas mortes, coisa tão normal...
Morreu
um traficante que era só um menino,
Tão
jovem ainda e já um marginal!
Tornou-se
famoso como sempre quis.
Seu
rosto estampado em todos os jornais...
Até
mesmo no diário do seu lugarejo,
Quem
viveu na guerra hoje dorme em paz!
Quase
ninguém viu no calor da tragédia
Que
ao lado do corpo uma passagem havia
E,
junto a ela, sorrindo, um rosto de menina
Manchado
de sangue na fotografia!!!
Martim César
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Arma de doble filo la soledad... Los olimareños
Allá
donde el campo es cielo
Mirando
la lejanía
Allá
donde el campo es cielo
Abre
alas para el vuelo
Sin
salir de su lugar
Al
rededor de su rancho
Son
leguas de imensidad
La
soledad... lleva adentro
Afuera...
el campo nomás
La
vida pasó de largo
Y
hoy es tan solo un viejo
Que
si le pesa la edad
Le
pesan más los recuerdos
Tuvo
un amor hace tiempo
Quizás
le faltó coraje
Todo
quedó en el intento
Y
en las bromas del paisanaje
Por
eso ha quedado solo
Mateando
y a recordar...
Allá
donde el campo es cielo
Y
la vida es la soledad
Martim
César
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Oficina poética
A poesia é uma flecha por chegar ao seu destino...
(Verso de Alavanca de Arquimedes - Sobre amores e outras utopias)
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Letra da música que tirou o segundo lugar na Moenda - Premiada como a melhor poesia - Uma história da Pampa

Décimas
da raiz pampeana
I
Venho
do fundo do tempo
Abrindo
trilhas na história
Madeira,
seiva e memória
Que
brotam livres no vento
Eu
sou esteio, sustento III
De
pago, pampa e país Não quero pena, nem glória
Eu
sou a ancestral raiz Por tudo que sou e digo
Que
pulsa em cada semente Três raças cantam comigo
Eu
sou a própria vertente E atestam minha trajetória
Do
mundo que eu mesmo fiz Nas lutas demarcatórias
Junto
aos fortins de fronteira
II Eu
fui a voz das trincheiras
Eu
sou o verso que encerra No anteceder das batalhas
Da
minha estirpe, o sentido Fui copla de amor, fui mortalha
Guerreiro
ao fim preterido Dos gauchos
de
três bandeiras
Pelas
partilhas de guerra
Aos
outros tocou a terra IV
A
mim, o dom de cantor Não busquem meu nascimento
Mas
sei que tem mais valor Rastreando antigos papéis
Quem
canta suas verdades Meu berço está nos quartéis
Com
as rédeas da liberdade De um tempo já sem idade
De
não ter lei, nem senhor Mangrulhos de imensidade
Vigiando
os quatro horizontes
V No
longe, o verde dos montes
Por
isso não canto em vão No perto, as lagoas calmas
Nem
sigo a falsas estrelas Em cima, o lume da Dalva
Há
tanta gente que ao vê-las Prateando a água das fontes
Renega
o seu próprio chão
Mais
vale essa comunhão
Entre
o caminho e o andante
Que
nesse andejar constante
Descobre
ao mirar o mundo
Que
o rio quanto mais profundo
Mais
tempo terá por diante
Martim César
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Quando uma estrela cair, favor fazer três pedidos....

De
uma noite junto ao rio
Estava
à beira do rio
Ao
lado do meu amor
Quando
uma estrela caiu
Quando
uma estrela caiu
Foi
se apagando e apagou
Um
pouco acima do chão
Nem
mesmo um rastro deixou
Nos
rumos da imensidão
Achei
que era ilusão...
(A
estrela tinha sumido!)
Mas
ela disse que não,
'Deu
tempo pra três pedidos!'
Foi
quando voltei a vê-la
Bem
no seu rosto a brilhar
A
luz que sumiu na estrela
Estava
no seu olhar!!!
Olhei
pras águas do rio...
E
quis saber bem depois
Dos
sonhos que ela pediu
Dos
sonhos que ela pediu
Mas
deles ficou somente
A
cena nunca esquecida...
Aquela
estrela cadente
Mudou
pra sempre minha vida!
Martim
César
terça-feira, 13 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
O pago é a casa da infância... são os dias claros de voos rasos, mas de sonhos infinitos.

Para
o que chamo de pago
O
pago que eu trago em mim
Chegou-me
desde a infância
Das
velhas casas de estância
Ranchos
de barro e capim
Nestes
fundões do país
Onde
aprendi a importância
De
ver que só há distância
Pra
quem perdeu sua raiz
O
pago é um lugar sagrado
Que
vive dentro da gente
Que
ainda andando distante
Mesmo
sem vê-lo, se sente
E
está aqui no meu canto
Que
não é igual a nenhum
Mas
parecido a esses tantos
De
identidade comum!
O
pago que eu trago em mim
É
o sangue dos ancestrais
É
o tempo que em mim se faz
Desde
o princípio até o fim
Tendo
uma vida por meio...
É
o avô dizendo ao meu pai
Que
não descobre aonde vai
Quem
não sabe de onde veio!
O
pago é a casa paterna
Que
eu deixei algum dia...
A
mãe chamando pra dentro
Cuidando
os passos da cria
É
a terra onde eu ficarei
Envolto,
enfim, para sempre
Pra
ser não mais do que um nome
E,
talvez, de um povo... semente!
Martim
César
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Quando, um dia, eu voltar a ser criança...

Cantiga
para os dias que se foram
Eu
bem sei do tempo que esmaece as cores sem pedir licença
Nos
velhos retratos que mostram o rosto que foi nosso um dia
Desse
olhar de moço que embora há muito já não nos pertença
Gravado
ficou, banhado de sol, no instante eterno da fotografia
Percebo
a mudança quando algum espelho me devolve a imagem
De
um ser distinto ao que não mais que ontem habitava em mim
E
que - em silêncio grave - desaprova o gesto de seguir viagem
Sem
entender que a vida tem um só sentido que nos leva ao fim
A
alma que me move e que se manifesta cada vez mais viva
Não
detém o passo que muda a matéria como lhe convém...
O
tempo trabalha e - de vez em quando - ainda nos avisa
Aproveita
o hoje que está ficando tarde e a noite logo vem!
Penso,
muitas vezes, que eu trouxe comigo a casa da infância
Onde
desde os quadros os meus ancestrais miravam da parede...
Quando
fecho os olhos, recordo velhas noites e vejo na distância
Um
guri com medo... que não se levantava, mesmo tendo sede
Esse
guri que eu fui e que fugiu do espelho sem dizer-me adeus
Não
sabe do adulto que chegou sem graça e lhe roubou o posto
O
mesmo que vê, em seus traços fundos, o quanto envelheceu
E
tampouco entende de onde vem as marcas que hoje traz no rosto
Martim
César
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Filosofia de botequim nro 1

Rastros
Quem
segue passos alheios
Não
deixa r-a-s-t-r-o-s
na
estrada!
(plat-plat-plat-pla-pl-p-....)
Martim
César
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Quem foge à luta não aprende nada, pois mais vale o passo que a própria chegada. Martim César
Sobre as
utopias
(fragmentos de Belchiorana nº1)
Onde estará agora a tua fúria
jovem
Tua palavra ao
vento
Tua esperança nobre
Nesse mundo que havia de vir?
Onde
estarão agora as tuas utopias
O
teu punho ao alto
Tuas
garras de sonho
Enfrentando
aos gritos os surdos fuzis?
Que
o mundo mudou, disso eu já sei bem...
E
que nesses anos todos, mudamos também
Que
a guerra foi perdida e que ficamos sós
E
que essa não é a vida que sonhamos nós
Mas
quem foge à luta não aprende nada
Pois
mais vale o passo que a própria chegada
E
o maior segredo é não andar sozinho
É
ir tirando, juntos, as pedras do caminho
Onde
estará a tua alma revolta
Tua
raiz de povo
Tua
canção liberta
Sonhando
nas praças um novo país?
Onde
estarão agora os teus ideais
Tua
juventude alerta
Semeando
nas ruas
O
chão desses filhos que hoje estão aqui?
Martim
César
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
No hay dolor más atroz que ser feliz... Alfredo Zitarrosa
Aquele carnaval
Aquele
carnaval
Passei
como Robinson Crusoé sem Sexta-Feira,
Como
o derradeiro ser de uma raça em extinção.
O
ruído distante dos tambores caindo dentro de mim
Como
fosse o rumor de um milenar
ritual
de sacrifício.
Pouco
sabia de ti. Nada sabias de mim.
E
eu teria dado todos os meus sorrisos tortos,
Todo
o meu repertório de pequenas alegrias,
Todos
os meus cuidados ainda adormecidos,
Tão
somente para que estivesses comigo.
Aquele
carnaval
Passei
como Adão antes de perder a costela,
Diante
de mim o paraíso e, no entanto,
tudo me faltava.
Depois
tudo passou. Como tudo sempre passa.
Naquele
carnaval eu, por fim, havia descoberto
que
não só as quartas-feiras
são de cinzas.
Martim
César
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