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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

La indiferencia ha triunfado en un mundo en donde la falta de compromiso es la posición más cómoda. Mientras el compromiso exige responsabilidad, la indiferencia sólo requiere del cinismo para olvidarse que el mundo está roto o a punto de romperse.Eduardo Galeano




CENA COTIDIANA

EU VI UM HOMEM CARREGANDO CAIXAS DE PAPEL
INSIGNIFICANTE E INDIFERENTE PELAS AVENIDAS
NINGUÉM SABE DE ONDE VEIO OU PRA ONDE VAI
NEM O MOTIVO DE DEIXAR PELAS CALÇADAS SUA VIDA
É MAIS UM SER HUMANO, MAIS UM RETIRANTE A SOBREVIVER

O MUNDO AO SEU REDOR NÃO LHE PERTENCE, NÃO LHE QUER
MARQUISES, VENDEDORES AMBULANTES NAS ESQUINAS
E O POVO CORRE, CADA UM SÓ PENSA EM SI
A VIDA PASSA NORMALMENTE SEM MUDANÇAS APARENTES
E CADA REALIDADE SEGUE O RUMO QUE LHE É MELHOR

EU VI UM SER HUMANO TÃO IGUAL E TÃO DIFERENTE...
UMA CENA COTIDIANA QUE NÃO CAUSA MAIS ESPANTO
OUTRA VIDA ALI PERDIDA JOGADA NA CALÇADA
ENQUANTO HÁ POUCOS TENDO TANTO
EXISTEM TANTOS TENDO NADA.

EU VI UM HOMEM PREPARANDO LENÇÓIS DE CARTÃO
PARA UMA NOITE QUE NASCIA SOB UM VIADUTO
E MUITO MAIS QUE O FRIO HAVIA EM SEU OLHAR
O VAZIO DOS DERROTADOS PELA INDIFERENÇA
NUM DESTINO SUBUMANO, CAMINHO DE QUEM SE PERDEU

O LUXO QUE LHE MOSTRAM OS LETREIROS É TÃO IRREAL
VITRINES DE UM MUNDO MUITO ALÉM DO SEU
A ROUPA QUE LHE COBRE, O PÃO QUE NUNCA TEM
O LIXO É QUE PROVEM, DA MESA DE QUEM SOBRA...
A QUEM É QUE HOJE IMPORTA A VIDA DE OUTRO ALGUÉM?


Chico Saratt/Martim César




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lançamento Porto Alegre - Livraria Cultura

Gracias a todos os amigos que de uma forma ou de outra ajudaram no lançamento.




Pássaros de mesma plumagem


Tenho um amigo que disse
que tinha um amigo que dizia
que os pássaros de mesma plumagem
procuram voar juntos.

E que isso vale,
justamente para os amigos.

Não conhecia a frase, mas concordei no ato.

Boêmios, poetas, músicos e filósofos de botequim concordam.

Hoje esse amigo que tinha um amigo que dizia isso,
Tem um amigo que sempre repete essa frase.

É fato.

Os pássaros de mesma plumagem procuram voar juntos.



Martim César

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A vida é uma sucessão de sucessos e insucessos que se sucedem sucessivamente.




Uma ave chamada Quimera


O que eu queria?

O que eu queria de verdade,

Hoje em dia...


É que a minha obra fosse tempestade

E que a minha vida fosse calmaria.



Martim César

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Era ali, logo ali, numa volta da esquina




Imaginação

Tarde, distância, pandorga
Menino pulando a janela
Meu sonho cruzando por ela
Imaginação

Campo, moleques correndo
O sol alumiando essa tarde
Tudo ainda não era saudade
Imaginação

Manhã, pai e mãe, casa pobre
Dia frio, a merenda da escola
Recreio, chuta logo essa bola
Imaginação

Tempo, outro tempo, meu tempo
Mil amigos, meus sonhos ao vento
Fecho os olhos e outra vez aqui estão

Tempo, que tempo!... esse tempo
Dias claros, eternos por dentro
Abro os olhos e posso ainda vê-los...
imaginação

Vida, amplidão, liberdade
Meu corpo parecia ter asas
Mas voar, só em volta das casas
Imaginação

Pátio, brinquedos, meu mundo
Para rir nos sobravam motivos
Os avós ainda estavam tão vivos
Imaginação

Noite, lembranças, refúgio
A infância não era memória
Não tinha um final essa história
Imaginação


Martim César

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Si un traidor puede más que unos cuantos, que esos cuantos no le sean indiferentes. Leon Gieco




Encuentran al nieto desaparecido de la presidenta de las Abuelas de Plaza de Mayo


  • Nació en cautiverio durante la dictadura argentina y ahora tiene 36 años
  • Alrededor de 500 niños resultaron apropiados y alejados de sus familias biológicas
EFE 05.08.2014
El nieto de Estela de Carlotto, presidenta de las Abuelas de Plaza de Mayonacido en cautiverio y desaparecido desde la última dictadura argentina (1976-1983), ha sido hallado después de que se presentara voluntariamente para una prueba genética.
"La silla vacía se llenará con él, los marcos vacíos tendrán su fotografía. Lo he visto (en foto). Es guapo, es un artista, un buen hombre y me ha buscado", ha explicado Estela de Carlotto en una rueda de prensa concedida en Buenos Aires en la que ha destacado que su nieto ha hecho realidad uno de los lemas de la asociación: "Él ha llegado a nosotras como nosotras llegamos a ellos".
"Es positivo", ha confirmado Guido Kibo Carlotto, hijo de la presidenta de la organización humanitaria, sobre el resultado del análisis de ADN. Según ha relatado a medios locales Carlotto, secretario de Derechos Humanos de la provincia de Buenos Aires, su sobrino se ha prestado voluntariamente a realizarse pruebas genéticas porque tenía dudas sobre su verdadera identidad.
"En breves momentos trataremos de juntarnos con él. No puedo hablar de la emoción", dijo Kibo Carlotto.
El diputado argentino Remo Carlotto, otro de los hijos de Estela, se ha mostrado "profundamente feliz y conmovido" por el hallazgo. 

El nieto recuperado número 114

El nieto recuperado, el número 114 que las Abuelas logran recuperar, es hijo de Laura Carlotto, detenida en noviembre de 1977, durante la dictadura cuando estaba embarazada.
Laura fue llevada al centro clandestino de detención de "La Cacha", en la ciudad de La Plata (60 kilómetros al sur de Buenos Aires). La joven tuvo un bebé que nació en cautiverio el 26 de junio de 1978 y al que llamó Guido.
El cuerpo de Laura fue hallado sin vida y entregado a su madre el mismo día del asesinato, pero el niño no fue encontrado y la búsqueda llevó a Estela de Carlotto, de 83 años, a ser una de las fundadoras de la asociación Abuelas de Plaza de Mayo.
"Queremos que se den cada uno de los pasos, estamos profundamente felices y ansiosos de conocerlo para que se encuentre con la historia que le pertenece", ha añadido Remo Carlotto que ha señalado que la búsqueda de su sobrino ha sido una "lucha de todo el pueblo argentino" que ha ayudado a la familia "a que este encuentro se produzca".
Unas 30.000 personas desaparecieron durante la última dictadura argentina, según los organismos defensores de derechos humanos, y alrededor de 500 niños fueron secuestrados y alejados de sus familias biológicas.
Cuando una plaza llora

A Juan Gelman, por su lucha y dignidad


Las madres siguen caminando
En la Plaza de Mayo
Hace mucho que son abuelas
De niños casi olvidados

Pero no habrá nunca olvido
Para quién fue sangre y memoria
Porque una vida nace y muere
Pero no se apaga su historia

Hoy los tiempos ya son otros
Pero quizás sean los mismos...
Los condores solo están disfrazados
Esperando en la paz de sus nidos

Una llovizna cae sobre Buenos Aires
Y es el llanto de las madres
Con sus lágrimas de memoria
Más bien es el llanto del mundo
Recordando un tiempo oscuro
Cuando una plaza llora...
Cuando una plaza llora.

Los días siguen avanzando
Hacia el futuro, siempre más
Y ellas ahí están.. todos los jueves
¡Ni un paso atrás!... ¡Ni un paso atrás!

Son golondrinas con pañuelos blancos
Que levantan la bandera de sus hijos
Con su ejemplo van mostrando al mundo
Que ellos son mucho más que desaparecidos

¡Aparición con vida!... siguen resistiendo
Marchan en la plaza, son como palomas
Sólo hay una lucha que al fin se pierde...
Aquella, compañero, que un día se abandona

Alan Otto/Martim César

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Uma folha em branco, uma caneta, e a mão suspensa....


Folha em branco


Como se a vida fosse uma folha em branco 
que viraste agora
E com tuas mãos, enfim, pudesses escrever 
uma nova história
Tudo por fazer, o mundo ainda tão novo 
te pedindo a escrita
A boca sussurrando a forma das palavras
que um dia serão ditas


Como se sonhasses um engenho novo 
reinventando o tempo
E desses o teu gosto e a tua assinatura, 
à arte desse invento
Horizonte aberto, o sul, o norte incertos, 
à espera dos teus passos
Na esquina em frente, a esperar a gente 
a paz de um novo abraço


Mistério de viver, o eterno renascer 
a cada novo dia
O que virá, virá, e sempre há de vir, 
o futuro não se adia!
Mas escolher a fruta boa, a canção que mais nos soa
O tom da nossa voz... o que fazer de cada dia...
Essa é a nossa poesia... isso sim... pertence a nós!

Sim... essa é a nossa poesia.... isso sim... 
pertence a nós!


Como se nascesses para um novo mundo
 neste exato instante
E as coisas simples fossem doravante 
as mais importantes
Um afago, um beijo, um abraço amigo, 
um momento a dois
Que o demais não conta, o tempo das ausências 
fica pra depois!



Martim César

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cada canção é um pequeno farol...


Pequeno sol

A aranha tece a teia
Onde se enleia
A nossa solidão
No fio dessa meada
A vida mais cuidada
Perde a direção
No relógio cai a areia
E gota a gota a veia
Resseca o coração

É quando um grande amor
Nos mostra além da flor
A sede dos espinhos
Quando se perde o passo
E surge o descompasso
No meio do caminho
É quando o sangue é sangue
E a taça dos amantes
Não tem gosto de vinho

É quando uma saudade
A casa nos invade
Sem ter permissão
Que afloram os sentidos
E navegamos perdidos
Na imensa escuridão

É na gota desse instante
No mar desse momento
Na teia desse tempo
No deserto desse chão
Que surge como um sol
Na forma de um farol
E nos salva do naufrágio
A luz de uma canção.


Martim César

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Para Ernesto Díaz e Fabián Severo



Para Ernesto Díaz e Fabián Severo

Portunhol

Em mi documento dice
Que yo soy un brasilero
Mas si yo começo a hablar
Solo sale un entrevero

Non me entenden no Uruguai
No Brasil entienden menos
Sou daqui o soy de allá
Yo soy siempre un estrancheiro

Mas biem aqui neste lugar
Donde vivo a vida entera
Todos me miran igual
Soy mais uno em la frontera

Ô minino diz pra mim:
Que tu qué facê com isso?
Non se fala desse cheito
Tu ten que pedi permisso!

Ô minino tu bem sabe
O que dice a professora
Há português e hay español
Nom misture essas dos cosas

Tu tá vendo as aduanas
Que están arriba el puente
Son iguais aos idiomas
Separando a nossa gente

Mas se peço uma gajeta
Ou pido canha brasileira
Aquí me entienden muito bem
Soy mais uno em la frontera!

Aquí me entienden lo más bién
Sou mais um en la frontera!

Martim César

terça-feira, 29 de julho de 2014

Velhas tardes da minha infância

Hora da siesta

Na hora da siesta meu avô fechava a janela
da casona
E fazia que ia dormir.
Algumas vezes dormia mesmo.

Meu avô tinha um relho ainda do seu tempo
De domador de cavalos.

Nunca tivera muito, além da velha casona,
Algum ou outro parelheiro
Para as carreiras de domingo,
E um relho.

Seu relho era como se fosse o cetro de um rei.

A hora da siesta era a nossa hora.
Pegávamos a bola de meia, meus primos e eu,
E íamos para baixo dos paraísos,
Ao lado do galpão,
E fazíamos o nosso gol a gol,
ou dois contra um.

Sempre era uma festa.

Até que, algumas vezes, o avô abria a janela
E gritava para pararmos com o barulho
Porque se não iria fazer o relho estalar
no nosso lombo.

No lombo dos meus primos, eu sabia.

Eu era muito pequeno ainda,
Mas aquela hora era a melhor hora de todas.

Meu avô já não tinha quase forças,
Mal levantava da cama.

Eu era muito pequeno ainda, mas lembro.

Um dia, num desses jogos acirrados,
Acabou acontecendo uma penalidade
para o meu time.
Meu primo quis chutar e eu disse que não.
Chorei, afinal eu era pequeno.
E me considerava o craque do time.

Meu primo só disse que saísse da frente.

E tudo ficou naquele 'eu chuto! Não, eu é que chuto!'

Choradeira e gritos.

Gritos e choradeira.

Até que ouvimos a voz de sempre...
Só que, dessa vez, muito mais perto de nós.

'Deixa que eeeu chuto, gurizada de uma figa.'

Foi um esparramo.

Eu corri na direção das casas dos meus pais,
Que moravam ao lado.

E só tive tempo de ver o velho avô chutando a bola
Enquanto, ao mesmo tempo,
Dava um relhaço no primo menor.

O primo mais velho tratava de fugir,
Arrodiando o galpão.

O avô, com uma agilidade impensada,
Atirou o relho e acertou o seu calcanhar, 
                                                   derrubando-o.

Mas os dois conseguiram fugir em direção ao fundo.

Foi mesmo um esparramo.

Lindo de ver, se não fosse conosco.

Depois disso demos um tempo.

Não foi muito, mas foi um tempo.

Na verdade, creio que não durou uma semana
E já seguimos com o nosso jogo de bola de meia.

Afinal, era a hora da siesta dos adultos.

Só que daí em diante, sempre ficava um de nós
                                                              de vigia.

Lógico: para o caso de haver alguma penalidade.


Martim César